Teste genético tem mudado a maneira de tratar a depressão e outras doenças mentais.

A medicina deu um grande salto ao traduzir, ao sequenciar o DNA humano. A hereditariedade define muitas coisas em nós. Cor dos olhos é talvez a mais famosa, aprendemos no colégio. Tantos outras já tínhamos perfeita noção, como obesidade, altura, temperamento. Hoje sabemos que até a maneira como nos emocionamos, como aprendemos matemática, e ainda mais, como nosso organismo responde aos medicamentos.

Quem já enfrentou o problema da depressão e transtornos ansiosos, seja em si mesmo ou em familiares, além do transtorno da própria doença, muitas vezes passou por uma dramática situação: é que o médico não tem como saber qual será o melhor medicamento para este ou aquele paciente. Tem pistas conforme a história contada e sua experiência profissional.
A psiquiatria é uma ciência e uma arte ao mesmo tempo. Uma consulta ideal pode demorar 1 a 2 horas, pois muitas são as pistas que procuramos para estabelecer o diagnóstico correto e o melhor tratamento. Pouquíssimos são os exames que o psiquiatra pede pois na maioria dos casos o paciente já fez todos quando finalmente o procura. Não havia exame laboratorial que o ajudasse diretamente na escolha do medicamento melhor. Até agora.

O estudo da genética permitiu desenvolver exames que já dão excelentes pistas, diminuindo assim tentativas e erros, como revelou em depoimento do jornalista Jorge Pontual que sofreu com medicamentos que em seu organismo tinham respostas ruins.

Isso trouxe uma grande ferramenta ao psiquiatra. Mas atenção: é uma ferramenta, nada mais que isso. A consulta completa e experiência do médico, além do forte vínculo com o paciente e seus familiares é a essência do tratamento. Além do que, tratar depressão, ansiedade, TOC, déficit de atenção, transtorno bipolar, dor crônica, insônia, etc, não é só medicação! As técnicas terapêuticas e as mudanças na vida são acompanhadas com especial interesse e são os grandes pilares do tratamento. Mas agora, temos uma ajuda a mais.